sábado, 22 de fevereiro de 2014

Dança do Ventre: Um movimento para a integração do Feminino



Dentre os diversos benefícios que a dança proporciona a quem se atreve a percorrer este caminho libertador no aspecto emocional, acho que um dos mais interessantes é o do autoconhecimento e da aceitação de si mesmo, o que nos proporciona descobrir ou elevar o amor próprio. 

Nestes 15 anos de profissão, pude ver, sentir e analisar a transformação nada fácil e muito menos rápida de muitas mulheres que percorreram a minha sala de aula. Algumas tornaram o que aprenderam em profissão, outras em lazer mas a maioria buscou na dança um momento para si. Considero isso vitorioso, pois se enxergar, estar consigo mesmo não é uma tarefa fácil, pois temos de dar as mãos à nossa sombra, às nossas dificuldades e integrá-las com muita paciência, determinação e comprometimento. 

É muito difícil, principalmente para a mulher reprimida, mesmo que isso tenha sido fortalecido por uma questão familiar, conjugal, social ou por padrões internos, entrar em contato com o seu feminino, que está a meu ver, muito associado ao seu corpo. 

Com as demandas da sociedade, a rapidez da vida cotidiana e a exigência de estar sempre produzindo, nos esquecemos de que temos um compromisso com nosso bem estar físico, mental e emocional e nós, mulheres, acabamos adquirindo traços e atitudes masculinas, pois desempenhamos tantas funções em nossa vida e na vida alheia, que o corpo fala e responde de forma bruta. Acredito que a dança seja um meio de suavizar isso... Trazer leveza. 

Na Dança do ventre usamos, como o nome diz, a região do ventre como base da Dança. Dali partem todos os outros movimentos como consequência do comando central, onde energeticamente buscamos a força do que nos faz mulher. Colocamos em movimento o chakra (centro de energia) de base, que pode ser acionado com a ajuda da cor vermelha.

Com os movimentos pélvicos e de transferência, através da ajuda dos joelhos, podemos correlacionar a mulher que dança à serpente, sem vértebra, rastejante, silenciosa e misteriosa, representada através de movimentos sinuosos e ondulatórios, guiados ao som de violinos e flautas.

Podemos ainda ser fortes e precisas como um tambor, ágeis como um teclado e impactantes como um derbake.

Nosso corpo e quadril ao longo do tempo e dos estudos, passa a ser o instrumento tocado. A alma da bailarina e da música se tornam uma só e quando essa conexão se faz, nossa expressão total é vista, não por ser representada mas por ser sentida em cada poro, em cada respiração, em cada passo, em cada movimento. Fazemos do cabelo um vento ou um chicote ou até mesmo uma brincadeira de se esconder, assim como uma criança. Um pedaço de pano se transforma em asas, com as quais brincamos de dançar.

Nossas mãos se tornam delicadas como uma rosa que desabrocha ao tocar uma taça, um talher ou até mesmo o corpo do homem que amamos. Nossos músculos abdominais se fortalecem com a compressão e relaxamento do mesmo, a fim de imitar o animal que atravessa o deserto escaldante sem precisar de água.

Dançamos brincando com fogo, que não nos deixa queimar e apenas aquece a todos que nos observam dançar com ele e para ele, que ilumina qualquer escuridão. Transformamos um cabo de vassoura em um bastão, que fala dos homens que trabalhavam com o rebanho e dos que lutavam com suas únicas armas e dessa observação, mulheres criativas, transformaram em uma dança alegre e festiva.

Equilibramos uma espada, movendo nosso sagrado ventre sem que nos deixe cortar, sem que a deixemos cair, para nos glorificar e sabermos que em nosso corpo, podemos tudo equilibrar, segurar, sustentar sem que nos machuque. Isso tudo é ser mulher e o que colocamos na dança é apenas o que sentimos na vida, na pele, na alma.

E com todas essas descobertas, melhoramos a pele, aprendemos a maquiar o rosto, a saber do poder que carregamos em cada fio de cabelo, fortalecemos os músculos das pernas e do glúteo com a repetição e precisão dos movimentos do quadril, enrijecemos os braços pois descobrimos que não somos fracas e temos força para alçar vôo dentre os véus que nos perdemos para nos acharmos, fortalecemos os seios e afinamos a cintura com os contornos que fazemos dançando que valorizam as nossas curvas ao desenhar os oitos, ao realizar o infinito que carregamos em nós. 

Esculpimos nosso corpo e alma para termos mais saúde, mais vitalidade, mais energia, mais virilidade, mais sensualidade, mais fome de saber e ser mulher da cabeça até a ponta dos pés.


Luciana Munira
Bailarina, professora e coreógrafa de Dança Do Ventre e Dança Cigana. Representou o Brasil na Europa e no Egito e atualmente desenvolve um trabalho de dançaterapia para crianças, jovens e idosos com necessidades especiais no Instituto Tocando em Você no Rio De Janeiro.

Contatos para aulas, shows e cursos: (21) 98306-6612


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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um roteiro para o desenvolvimento da responsabilidade: Passo 2 - Planejamento

"Um ser humano não é oco num sentido estático, como se fosse uma bateria precisada de nova carga. A sensação de vazio provém, em geral, da ideia de incapacidade para fazer algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos". (Rollo May. O homem à procura de si mesmo)



Não é fácil seguir a Vontade. Não mesmo.

A filosofia oriental já associava há milênios a Vontade à emoção do medo e à virtude da responsabilidade.

Não é fácil caminhar pela escuridão sem saber ao certo se a clareira que se almeja encontrar de fato estará lá. Não é fácil desapegar das garantias e entender genuinamente que este lugar não é algo que se vê à frente, com o sentido da visão física, mas que se trata de olhar para dentro e então perceber que ele está em nós. Como uma chama a acalentar todas as angústias, os medos, as incertezas e as inseguranças. Que permite compreender genuinamente o real sentido do existir e efetivamente viver.

"O essencial é invisível aos olhos", diz a conhecida frase encontrada em O Pequeno Príncipe.

Quando não se apropria desta força essencial que opera a favor da vida, sente-se vazio. O vácuo interior é o resultado acumulado, a longo prazo, da convicção pessoal de ser incapaz de desenvolver seus potenciais conforme a sua vontade. "Uma vez que o que a pessoa sente e deseja não tem verdadeira importância, ela em breve renuncia a sentir e a querer. " (Rollo May. O homem à procura de si mesmo)

A crença que toma conta da renúncia ao sentir e ao querer geralmente é não consigo.

Nesse caso é importante avaliar se ela é fidedigna com o seu objetivo, ou seja, você pode estar "dando murro em ponta de faca". Opa! Rua sem saída, é preciso aceitar e mudar o rumo.

Ou então esta crença se estabelece por uma incompreensão quanto à sua real capacidade. Você pode estar se "taxando" de incapaz sem antes instrumentalizar-se adequadamente e cobrando de si recursos que ainda não tem desenvolvidos.

Após a batalha vencida da identificação da Vontade, é preciso se fortalecer com o Planejamento. A proposta de planejamento que faço aqui tem o objetivo de servir como um espelho a refletir as suas potencialidades já desenvolvidas e transformadas em habilidades e as que podem e precisam ser desenvolvidas. Traçando, assim, uma rota para sua eficaz execução.

Segue abaixo uma sugestão de Planejamento guiado por perguntas a ser respondidas por você:

O que  QUERO (Vontade identificada)

1) De zero a dez, qual o grau de importância da realização desta vontade na minha vida?

2) O ambiente é favorável ou desfavorável? (ambiente físico - clima, zona rural ou urbana, casa, apartamento, espaço comercial etc. -, ambiente afetivo, ambiente social, ambiente biológico - o próprio corpo e suas possibilidades ou limitações, ambiente de trabalho, outros.)

* Caso o ambiente seja desfavorável independente da sua vontade e esforço, é interessante começar por estudar uma maneira de acessar um que seja favorável ou estabelecer uma meta efetivamente proveitosa.

3) Quais os possíveis benefícios do (s) resultado (s) a curto, médio e longo prazo? Para mim enquanto indivíduo e para o entorno do qual faço parte.

4) Quanto tempo pode ser estimado para o alcance deste (s) objetivo (s)?

4.1) Quais são as etapas que preciso percorrer e o tempo aproximadamente estimado?
4.2) Que desafios poderão se apresentar em cada uma delas? E que benefícios?

5) De que recursos preciso para isso? (paciência, entendimento, dinheiro, informações, habilidades manuais, conhecimento, condicionamento físico... por aí vai)

6) De que habilidades disponho? (comunicação, facilidade para me expressar, praticidade, facilidade com as exatas, facilidade com as humanas, capacidade de convencimento, empatia, persistência, comprometimento etc.)

7) Que habilidades preciso desenvolver? (escrever melhor, falar em público, saber utilizar a internet, expressar meus sentimentos e pensamentos - asssertividade, posicionamento de opiniões, tolerância, criar vínculos, desapego)

8) A que pessoas (amigos, familiares etc.), serviços, profissionais preciso recorrer para cada etapa?

9) Que frase ou frases podem me auxiliar a me manter firme com o meu propósito nos momentos de dificuldade?
Exemplos: Eu mereço realizar. Eu posso realizar. Eu quero realizar. Eu realizo.
                     Eu respeito meu tempo e o meu ritmo de aprendizado. 

Diz-se que não são as respostas que movem o mundo, mas sim as perguntas. Então, torço para que este planejamento/questionário possa te auxiliar no próprio movimento e, consequentemente, no movimento do mundo.

Boa empreitada!!! :)
  
Em breve próximo passo do roteiro: Execução

Gisele Faria 
Psicoterapeuta (CRP 05/37984)
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quando é difícil perceber a própria Vontade

"Quando alguém continuamente defronta-se com um perigo que é incapaz de vencer, sua linha final de defesa é evitar a sensação de perigo." (Rollo May, O homem à procura de si mesmo. 1953)



Antes de avançar para o Passo 2 do roteiro proposto anteriormente neste blog, vamos voltar a atenção para o leitor que tem dificuldade de acessar uma vontade sua. Isso é mais comum do que se pode imaginar.

Entenda que o fato de pessoas se mostrarem em ação rumo a um dado objetivo, não significa que o estejam fazendo em função da sua vontade de se realizar como SER. A motivação pode ser o TER: dinheiro, status, reconhecimento, poder, a imagem de felicidade etc.

Será que a autoridade que está por trás da sua motivação é efetivamente você ou uma autoridade anônima porém influente?

Chamou-me a atenção hoje um texto cuja citação postei acima, do psicanalista Rollo May. Um livro de um passado não tão distante de nós que me parece extremamente atual. O autor atenta para estudos de um outro psicanalista, Erich Fromm, que apontaram para a observação de que em meados do século passado as pessoas deixaram de viver sob a autoridade da igreja ou das leis morais (com ressalvas, a meu ver), mas se submeteram a autoridades anônimas, como a opinião pública.

Será se não é assim ainda hoje? Observemos os tipos de postagens feitas nas redes sociais e que efeitos elas geram ou se espera que gerem. 
"A autoridade é o póprio público, mas esse público é uma simples reunião de indivíduos, cada qual com seu radar ligado para descobrir o que os outros dele esperam". (RolloMay, 1953)
Diante de tantas expectativas e exigências, como não sentir o perigo (de contrariar e suas consequências) rondando?! E querer evitá-lo??

Porém a cada dia a vida que quer vibrar em você te pergunta: até quando?

Até quando você se submeterá a uma autoridade outra que não seja a sua própria?

Até quando viverá no cativeiro do medo de viver?

E a cada dia a vida faz um convite. Sempre que você sente insatisfação, raiva, angústia, medo... é a vida vibrando em você e te convidando para o desenvolvimento dos seus potenciais para SER.

A cada momento de alegria genuína, de sensação de paz, de prazer legítimo... é o momento da vida retribuindo a você em gratidão por deixá-la se manifestar.

Em todos os dias  há oportunidade de viver... o dia todo.

Você pode aceitar... ou não. Uma coisa é certa: o ser humano escolhe sempre (consciente ou inconscientemente) o que considera o melhor para si.

P.S.: Crescer dói.

   
Gisele Faria 
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Um roteiro para o desenvolvimento da responsabilidade: Passo 1 - Vontade

A responsabilidade é uma virtude. Para os antigos orientais, ela anda lado a lado com o medo. Ambos são polaridades importantes no alcance do equilíbrio. Encontrar a medida adequada é tarefa para a vida toda.  

Eu não sei quanto a você, mas quando penso na palavra responsabilidade, sinto um frio na barriga.

E se num momento crucial eu tomar uma decisão que pode ser fatal para mim ou para o  outro? 

Você já se pegou com um pensamento assim?

Você já ouviu alguém dizer "Isso foi culpa sua!"? Criança faz muito isso... (com quem ela aprende esse comportamento se é criança??) Ou então, diante de uma iminente reprovação, apontar para o outro e dizer "Foi ele! Não tenho nada com isso...".

Não é fácil assumir a responsabilidade de qualquer ação. Afinal, toda ação gera um efeito que podemos até supor, mas não podemos controlar. Veio-me à mente aquele filme, Efeito Borboleta. Se você já assistiu, entenderá a associação. Senão, aqui está um convite.

Pois é... Podemos controlar em certa medida nossos atos mas não podemos controlar os efeitos deles. Podemos imaginar, podemos avaliar através da observação e experiências pregressas, que podem nos dar dicas de como nos conduzir para o objetivo que buscamos. Mas nada disso garante que o mesmo será atingido.

Digo que controlamos nossos atos em certa medida porque somos uma complexidade de variáveis que nem sempre conseguimos perceber. E por essa razão podemos vir a agir diferente daquilo que calculamos previamente.

Então qual o sentido da responsabilidade em nossas vidas, já que não temos controle de "quase" nada? 

Parece pouco, mas esse "quase" é muita coisa, sabia?

Quanto mais nos conectamos a essas variáveis representadas pelos nossos pensamentos, sentimentos e emoções, maiores são as chances de dominar esse "quase", através do autocontrole.

Não há como fugir da responsabilidade. Mesmo quando escolhemos fugir de algo, consciente ou inconscientemente, somos responsáveis por essa escolha. Se você escolhe delegar a responsabilidade para outra pessoa, essa responsabilidade é sua. Se você se recusa a encarar algo, isso é uma escolha sua. Parafraseando Jean-Paul Sartre, somos condenados a escolher.

Podemos evitá-lo a todo custo, mas o convite para que nos apropriemos da nossa escolha se faz o tempo todo, através da nossa vontade. "A gente não quer só comida", já diz a música dos Titãs. A gente está sempre querendo, desejando, almejando algo. É a vontade que nos impulsiona ao movimento da vida.

(Nascemos por causa do desejo de quem nos gerou, seja qual for a motivação.)

O ano de 2013 acabou, e com o nascimento de 2014 renovamos a nossa vontade de que algo aconteça. O que você almeja para este ano? 

Que tal começar o novo ciclo ampliando sua consciência para o que você tem vontade de realizar neste ano e, consequentemente, na sua vida?


Faça sua lista!

Em breve próximo passo do roteiro: Planejamento

Gisele Faria 
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sábado, 14 de dezembro de 2013

Como você quer renascer em 2014

A cada fim de ano ouvimos alguns comentários típicos, tanto de pessoas crentes quanto descrentes do que o Natal e a virada do ano significam.

Tem gente que diz "Uma verdadeira bobagem. Entra ano, sai ano, as pessoas pulam ondas, vestem roupas da cor tal, pedindo coisas que não têm, como se isso fosse mudar alguma coisa."

Ou então "É um momento puramente comercial. As pessoas saem às ruas desesperadas à procura de presentes e não estão nem aí para o significado disso". E o Reveillon pode render uma boa balada...

Ainda, "Pura hipocrisia. O ano todo destrata gente, faz bobagem e agora vira bonzinho".

Há aquelas que, em contrapartida, trazem consigo lembranças agradáveis de um encontro familiar ou entre amigos, desde a confecção dos quitutes até a distribuição dos presentes. E que realmente acreditam que o ano seguinte será um ano melhor.

Podemos concordar, enfim, que positivamente ou não, cada um tem uma opinião em relação às datas de dezembro que não "saem batido" do pensamento de ninguém.

E cada uma das opiniões têm seu fundo de verdade. Até porque se referem às experiências vividas por cada indivíduo ao longo da nossa história, estendida de geração a geração.

Por isso faço aqui o seguinte convite à reflexão: pensemos no que tradicionalmente estas datas representam. Ambas destacam um aspecto comun: o Renascimento. E qual a finalidade disso?

Bem, nós vivemos no mundo das formas, onde criamos padrões de medida cronológica, não é mesmo? Dividimos o tempo em anos, meses, horas, segundos e por aí vai... Isso serve para nos auxiliar a nos situar neste mundo, composto, segundo conceitos criados por nós, de espaço e de tempo.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o Renascimento. Respondo... Todos os dias a natureza nos oferta o ensinamento de que vivemos constantemente ciclos; os ciclos do dia e da noite, os ciclos das luas e por aí vai. Logo, todos os dias presenciamos o Renascimento.

Acontece que pouco damos bola para isso, não é verdade? Acordamos na segunda esperando pela sexta, sem pararmos para pensar que é uma dádiva o que vivenciamos em cada dia da semana, com tudo de agradável e desagradável que experienciamos.

Sim, porque somos convidados a todo momento a experienciar. Sejam nossos pensamentos, nossas emoções e nossos comportamentos. Um verdadeiro laboratório de si mesmo. Mas quantos de nós fazemos isso no dia-a-dia?

Para isso existem os rituais. A tradição natalina e a ceia da "virada"não deixam de ser um ritual. Ou seja, um momento em que, enquanto preparamos o ambiente para aquela celebração podemos refletir sobre o que representa. Tudo que foi construído ao longo do ano, quais são os anseios para o próximo, o que precisa melhorar, o que já conquistou etc.

Claro, se ficarmos apenas nos queixando e nos vitimizando dizendo como o ano foi bom ou ruim para si, como se o ano fosse um sujeito muito bondoso ou um carrasco que está ali só para te felicitar ou infernizar, realmente, de nada adianta ritual nenhum.

Contudo, se você tem a consciência de que a mudança está em você, então o exercício da reflexão é muito válido. E quanto mais pessoas se encontram nesta sintonia, maior a fluidez dos pensamentos e sentimentos. Por isso geralmente consegue-se extravasar com mais facilidade os sentimentos de amor, compaixão e fraternidade nesses momentos.

Mas podemos fazer isso ao longo do ano inteiro, lembrando que a cada dia há a possibilidade de Renascer.

Então, deixo aqui registrado os meus votos de que cada um, no seu momento de reflexão, estude a si mesmo. Acolha a si mesmo (as dores, as fraquezas - sim, temos fragilidades, as desilusões, as carências) e, ao fazê-lo, deixe emergir toda a potencialidade universal que há dentro de si (os sentimentos mais nobres, o amor por si mesmo, a compaixão, o perdão, a responsabilidade, a alegria de viver - lembrando que viver é um risco). E, renovado, siga a jornada sem fim.

 Seja bem-vindo no novo nascimento!



 Com amor e gratidão,


Gisele Faria 
Psicoterapeuta (CRP 05/37984)
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"A autorrealização do Ser"

De Tao veio o Um.
Do Um veio o Dois.
Do Dois veio o Três.
E o Três gerou os Muitos.
Toda a vida surgiu da Treva
E demanda a Luz.
A essência da vida engendra
A harmonia das duas forças.
Nenhum homem quer ser solitário
Abandonado e insignificante
Reis e príncipes se dizem ser assim
Porque sabem do mistério:
Que o inconspícuo será exaltado
E o importante decairá.
Por isto, ensino também eu
O que outros ensinavam:
Quem age egoicamente
Está morto
Antes de morrer.
É este o ponto de partida da minha filosofia.
                                                         (Lao-Tse)

Há inúmeras textos e artigos que discorrem inclusive academicamente sobre o tema autorrealização. Optei, contudo, por este, oriundo da filosofia oriental, por ser tão antigo (6 a.C) e ao mesmo tempo tão contemporâneo. 

Cabe aqui uma breve explicação sobre suas linhas iniciais, embora não sejam o enfoque do presente escrito. A filosofia oriental entende que o Tao seja, em síntese, a combinação das infinitas possiblidades de criação do Universo. A partir dele, surge o Um, representado pelo mundo das formas, do material, cuja relação com o mundo das possibilidades, gera o Dois. É a criatividade em ação na matéria, cuja união gera o Três. A vida manifesta, que gera vida, sucessivamente.

Observemos a proposta do autor quanto à dualidade Treva e Luz a partir da ideia da gestação. A vida que há dentro do útero se desenvolve em meio à escuridão que nele há para, então, ser dada à Luz, no nascimento. Ambas são, portanto, polaridades que envolvem uma mesma força: a vida. O mesmo ocorre para todas as outras polaridades que intercedem uma mesma força ou energia: quente e frio, verão e inverno, alto e baixo, e por aí vai...

A imagem em destaque permite perceber algumas polaridades: pequeno/grande, fraco/forte, claro/escuro. (A Gestalt-terapia e a Psicologia Analítica, abordagens da Psicologia, dão grande destaque a esta relação de polaridades ou opostos polares em sua fundamentação) Num primeiro momento, ouso generalizar que nossa tendência habitual é afirmar que a mãozinha enfraquecida é que necessita da mais forte. Isso porque esquecemos de fazer a correlação que existe entre as polaridades. Uma não é sem a outra. Há uma necessidade mútua que mobiliza ambos a estender as mãos e se unir.

Não se trata de um olhar enrigecido do "isso OU aquilo". Mas da integração pelo "isso E, também, aquilo".

Aí está a chave para a autorrealização: o reconhecimento de que Eu sou tão importante e ao mesmo tempo insignificante quanto o não-Eu. É fundamental que olhemos, sim, para o próprio umbigo. Assim como o é olharmos para o que vai além de nós. Neste movimento, somos altruístas ao sermos egoístas E somos egoístas ao sermos altruístas.

Por isso, Lao-Tsé se refere à morte em vida para quem age egoicamente: agir apenas em função do que se espera vir de fora, ignorando todas as potencialidades que existem no próprio Ser é ignorar a possibilidade de deixar viver a totalidade que a nossa essência propõe.

*Texto modificado em 22/02/2014.
Gisele Faria 
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Amar ao próximo como a si mesmo


Esta frase deve ter sido ouvida por praticamente toda a humanidade, tanto pelos que se afinam com o cristianismo quanto pelos que não.

Há mais de 2.000 anos, segundo os textos bíblicos, fora instituído um mandamento para o homem amar. Um mandamento... para amar.

Isso me faz pensar o quanto desconhecemos, ainda hoje, esse verbo que parece tão familiar e ao mesmo tempo desconhecido; quase um mito, como um pote de ouro no fim do arco-íris.

Talvez tenhamos confundido o real sentido de riqueza. Queremos o ouro, só não atentamos para o fato de que ele não tem forma de bezerro nem é um objeto a ser adorado para que a felicidade bata à porta do coração.

Dois mil anos atrás fora preciso impor ao homem que não matasse; que não roubasse; que não invejasse; que não cobiçasse o que não lhe pertence, que respeitasse.

Crescemos com o que nos foi ditado sobre o que é errado. E então desenvolvemos o processo de educar nossos impulsos. A questão é: nós realmente aprendemos a controlar tais impulsos ou nos condicionamos a repreendê-los? Nós simplesmente decoramos a lição? Ou assimilamos o seu conteúdo?

Buscamos ser bons alunos da vida. Mas que tipo de bons alunos? Aqueles que estudam apenas para tirar nota ou passar de fase? Ou para realmente aprender?

Será que a solução é simplesmente dizer NÃO aos nossos impulsos? Como crianças, eles nos perguntam "Por que não?", fazendo beicinho e batendo o pé no chão, e respondemos "Porque não" ou então "Porque é feio".

Será que o que realmente importa é ficarmos bem na foto? A criança interior, na condição de ser dependente do outro (esse outro inclusive a nossa própria consciência), acaba por engolir a contragosto a resposta sem sentido. Então passa a reproduzir o que lhe foi "ensinado". Até descobrirmos com a própria vida que não é bem assim. E que precisamos de respostas consistentes e coerentes por ter o direito de viver, e não apenas sobreviver.

Por que não dialogar com os impulsos? Por que não dialogar com essa criança que só quer aprender a existir? Aprender inclusive que, para existir, ela precisa do outro assim como precisa da própria vida. Daí a atenção, o cuidado, o respeito. Será que aí não está uma resposta fundamentada?

Será que tanto tempo depois, em pleno Século XXI, nós não somos capazes de refletir e dialogar com nossos impulsos? 

O que é amar, afinal? É seguir indiscriminadamente uma série de regras que nos foram impostas, com a devida funcionalidade, por conta da nossa própria ignorância? É nos mantermos ignorantes simplesmente repetindo o que nos foi repassado de geração a geração sem termos consciência do que escolhemos?

Esse tesouro não é palpável mas é alcançável. 

Como eu sei?? 

Conversando com minha criança interior.

Gisele Faria 
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